Equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) escoltam uma carga de combustível para aviação desde a Refinaria da Petrobras em Araucária (PR) até o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR).

Durante a greve dos caminhoneiros foi constatada falta de combustível em 8 dos 54 aeroportos do Brasil, um percentual de quase 15% da estrutura aeroviária básica vulnerável à crise de abastecimento de querosene de aviação. Mais de 80 voos cancelados e 90 atrasos são números que atestam uma absurda precariedade nas políticas de infraestrutura nacional.

É o caso de perguntar por que todos os aeroportos que não receberam combustível na greve não tinham rede de abastecimento por dutos, como a dos aeroportos de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ). Com certeza, não é por falta de tecnologia ou capacidade para implantar esse tipo de infraestrutura.

Todavia, é sabido que a falta de infraestrutura prejudica a competitividade do País, causa prejuízos que totalizam efeitos negativos sobre a economia e também afeta indesejavelmente a qualidade de vida dos usuários dos serviços. Mesmo assim, ainda prevalece uma cultura do descumprimento de cronograma e obras se arrastam por anos a fio, como a ferrovia Norte-Sul, há mais de 30 anos em construção e ainda não chegou a sua extensão prevista inicial de 1.550 km.

É o que também acontece no aeroporto de Viracopos. Apesar de existirem dutos subterrâneos há mais de 15 anos e que nunca foram utilizados no aeroporto, em Campinas (SP), na greve, carretas tiveram que ser mobilizadas para realizar o abastecimento. E foi necessário o Exército escoltar sete carretas até o terminal que é privatizado.

Mesmo que projeto sem rede subterrânea de abastecimento não seja impeditivo para aprovação de um aeroporto, sua recomendação como indicador de qualidade é positiva. E, assim, pode contribui para aprimorar o funcionamento de aeroportos.

Fracasso logístico

Caminhoneiros ainda ocupam trecho da Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica, Rio de Janeiro.

As informações nunca estiveram tão desencontradas como agora. Noticia-se um acordo. Os envolvidos festejam. A imprensa televisiva sai para dizer que a greve dos caminhoneiros acabou. Todavia, não é isso que se constata até à noite desta segunda-feira (28/05). Uns dizem que o movimento prossegue, e que reduzir apenas o preço do diesel não adianta nada. Antes de tudo, é preciso que se diga que não cabe aqui questionar a reivindicação dos profissionais e das transportadoras. Elas são legítimas, assim como a luta.

Enfim, estamos diante de uma das maiores e graves crises vividas pelo País nos últimos tempos. Enquanto isso, vê-se o desabastecimento não apenas do combustível, mas de diversos produtos nos mercados – de carne até gás de cozinha.

A paralisação dos caminhoneiros, iniciada no dia 21 último, mostrou claramente à sociedade brasileira que a movimentação de cargas em território tupiniquim se faz, em mais de 80%, por pneus. Escancaramos, além da incompetência governamental ao mundo, o nosso mais retumbante fracasso logístico.

Os modais ferrovivários e hidroviários, por exemplo, tão usados em intermodalidades nos países desenvolvidos, aqui dormem, ainda, em “berço esplêndido”. A pergunta que não quer calar: quem ganha com isso? O País é que não é.

Fonte: Portogente.

 

 

 

 

 

 

 

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